• O dragão é o único animal imaginário da simbologia chinesa. Simboliza a sabedoria, poder transformador, força, proteção e riqueza. Ele nos inspira e representa o nosso propósito e missão.

Quarta, 11 Janeiro 2017

Uma organização empresarial funciona como um organismo vivo. Para a sua excelência e pleno funcionamento, é necessária a clareza do negócio em que está inserida, a sua visão de futuro, estratégias e processos bem definidos e um quadro de pessoal sinérgico e motivado para atingir os objetivos propostos. Caso contrário, corre risco de descontinuidade.

Não raras vezes os dirigentes das organizações são pessoas brilhantes, com ideias grandiosas, porém os seus canais de comunicação são falhos.

Sua visão, ideias, estratégias não são bem compreendidas e, consequentemente, não conseguem incentivar e mobilizar o corpo funcional para a sua realização.

Por que isso ocorre? Quais as principais causas?

1. Não priorizar o planejamento

O Planejamento Estratégico é uma das práticas de excelência adotada pelas organizações bem-sucedidas. Serve como bússola para orientar as ações das Empresas em todos os níveis, a serem seguidas por todas as pessoas que integram a sua força de trabalho. Entretanto, muitos dirigentes e gestores gastam a maior parte do seu tempo resolvendo problemas do dia-a-dia, envolvidos processos operacionais e rotinas. Consequentemente, perdem o foco da condução da organização e das estratégias que deveriam ser adotadas para corrigir o seu rumo ou para torna-la mais competitiva e bem-sucedida. Ou seja, há muitos bombeiros apagando incêndios e carência de estrategistas para indicar o caminho a ser seguido, prevenir incêndios e promover ações que elevem a organização para patamares superiores.

2. Não contemplar as principais perspectivas da organização no planejamento

Ora, se o planejamento serve como uma bússola para orientar às ações da empresa, o que fazer quando não há definições para as principais perspectivas da organização, como por exemplo: finanças, clientes, processos internos, aprendizagem e crescimento dos colaboradores? O que é esperado dos gestores e funcionários para que as suas ações sejam congruentes com a visão estratégica?

A falta de clareza pode gerar muitas ações desconectadas e incongruências. Essa é uma das causas de muitos estresses nas organizações, incorrendo em trabalhos em duplicidade, não conformidades, perdas e retrabalho.

3. Não envolver todos os níveis

Em muitas organizações o planejamento é definido pelos níveis estratégicos e, as definições decorrentes são repassadas para o restante da Empresa em eventos organizados para esse fim e através dos canais de comunicação formais da Empresa, como Intranet, quadros afixados em locais visíveis, etc., apresentando o Negócio, Missão, Visão e Valores ou Princípios Organizacionais, mas falham no seu desdobramento, envolvendo todas as unidades organizacionais. Consequentemente, os funcionários em geral, veem o planejamento como algo distante, fora da sua alçada e não sabem ou desconhecem exatamente o que é esperado, qual o papel ou a contribuição dele e da sua unidade para o atingimento dos resultados.

A distância da alta administração do corpo funcional também é um fator crítico de sucesso. Essa distância muitas vezes leva a alta administração a uma visão unilateral e distorcida da realidade da organização, baseada nas informações que os níveis imediatamente inferiores julgam apropriado, conveniente ou tem interesse em levar ao seu conhecimento, muitas vezes ocultando talentos e aspectos relevantes, ou até mesmo problemas graves por receio de perder o seu espaço.

4. Falta ou falha na definição de indicadores de desempenho

Como identificar o quanto é esperado do desempenho de uma unidade? O que ela precisa atingir? Como avaliar se os objetivos estão sendo atendidos, e em que nível? Como saber se o desempenho da unidade está no rumo adequado ou se precisa de adequações?

A definição das metas e dos indicadores de desempenho para acompanhar e avaliar o seu atingimento, são essenciais para o gerenciamento. Quem não mede, não gerencia, apaga incêndios.

Os indicadores devem ser utilizados nas reuniões periódicas de avaliação dos resultados, tanto para sinalizar o grau de sucesso da organização, como para identificar os desvios ocorridos e as ações a serem adotadas para corrigir o seu rumo, eventuais falhas ou resultados abaixo das expectativas, em tempo hábil para a sua adequação.

5. Falta ou inexistência de planos de ação

Muitas organizações desperdiçam tempo em reuniões improdutivas, onde são tomadas decisões sem plano de ação que indique o que, quanto, como, onde e quem é responsável pelas ações definidas. Essas decisões levam a que TODOS esperem que ALGUÉM faça e NINGUÉM faz.

6. Gestores despreparados

Muitas organizações, tanto públicas, familiares, como privadas, promovem pessoas, ora excelentes técnicos, familiares, amigos, correligionários, para funções gerenciais ou de liderança, sem o devido preparo, na expectativa de que estes sejam bem-sucedidos nesses papeis. Isso pode gerar muito desconforto ou sofrimento, tanto para essas pessoas, como para os seus subordinados ou liderados.

Pessoas despreparadas não são aceitas pelos subordinados, sutil ou ostensivamente. Na maioria das vezes, não conseguem transmitir e trabalhar com a sua equipe, as questões estratégicas da organização. Também não sabem ou tem dificuldade em planejar, orientar e lidar com a equipe para mantê-la motivada e produtiva para que possam atingir resultados extraordinários, assim como dar feedback positivo e lidar com questões de relacionamento interpessoal.

Tudo isso pode gerar um ambiente de trabalho inadequado, desmotivador e pouco produtivo.

Esse é um dos motivos do alto turnover em muitas organizações. Ora por iniciativa dos funcionários, que insatisfeitos procuram outras oportunidades, ora por iniciativa dos gestores que, sem admitir o seu despreparo, dispensam funcionários culpando-os pela baixa produtividade ou qualidade da sua área ou problemas de relacionamento, gerando um clima ainda maior de insatisfação e insegurança, além de custos para a Empresa.

O investimento no desenvolvimento de gestores é imprescindível para o sucesso da organização que busca a sua excelência. O gestor bem preparado consegue manter a sua equipe coesa e de alta performance.

7. Equipe de baixa performance

As pessoas movem a organização. Por melhor que sejam as suas estratégias, diretrizes, projetos, processos, infraestrutura, nada funciona sem as pessoas.

Quem não teve problemas ou ouviu queixas e reclamações de consumidores insatisfeitos, tanto quanto ao atendimento, como em relação a produtos e serviços sem qualidade e, consequentemente, não volta mais, nem recomenda os fornecedores dos produtos ou prestadores dos serviços?

Considerando que cada cliente ou consumidor insatisfeito tem efeito multiplicador, cada evento negativo é uma ameaça à continuidade da organização.

E, o que leva a baixa qualidade do atendimento, dos produtos e dos serviços?

Os principais motivos que levam a baixa qualidade estão relacionados ao nível de qualificação e à motivação das pessoas.

Para manter um quadro de pessoal bem qualificado é importante que as pessoas se inteirem das definições estratégias e diretrizes organizacionais, sejam congruentes com os seus valores e princípios e saibam o que é esperado delas comportamental e tecnicamente. Consequentemente, as ações e investimento em treinamento e desenvolvimento devem contemplar esses dois aspectos.

Há vários níveis motivacionais na hierarquia de necessidades das pessoas. Segundo Maslow, psicólogo e humanista, o primeiro nível compreende as necessidades básicas, fisiológicas; o segundo, as necessidades de segurança; o terceiro, as necessidades sociais, de afiliação; o quarto as necessidades de estima, reconhecimento e o quinto as necessidades de auto realização.

As organizações precisam estar atentas a esses fatores para atingirem melhores resultados. Quanto mais alto o nível de necessidades a ser suprido, menor importância tem o fator remuneração. Uma vez supridas as suas necessidades básicas as pessoas precisam se sentir seguras, integradas com a sua equipe, reconhecidas e, por fim, sentirem-se auto realizadas. Nesses quesitos, o papel dos gestores é fundamental. O gestor bem preparado sabe lidar com as idiossincrasias da sua equipe, ora apoiando aqueles que dependem de suas orientações, ora dando maior autonomia àqueles que forem autossuficientes, sem descuidar do atingimento dos objetivos organizacionais.

Sempre é possível fazer melhor. Sempre é tempo de recomeçar. Cada erro, cada crise contém uma oportunidade. É necessário buscar o aprendizado intrínseco em cada experiência para a escalada do sucesso. O mais importante não é o fim do caminho, mas a jornada a ser percorrida. Sucesso!

 

Lúcia Arlete Machado Nunes

Consultora Organizacional, Master Coach e Master em PNL

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.